Maratona e Maranata

por | fev 3, 2024 | Editoriais

Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis.  (I Cor 9:24)

            No final do ano, costumamos acompanhar a famosa Corrida de São Silvestre, onde anônimos e atletas consagrados disputam nas ruas de São Paulo as medalhas e o pódio.

            Fico pensando que esta vida é uma maratona mesmo, cansativa, mas prazerosa; requer disciplina, empenho, mas tem recompensas; exige de nós estratégias, mas nos apura, faz-nos entender o que é superação.

            Nem sempre quem está correndo no pelotão da frente vai ter um lugar no pódio, mas tem seus minutos de fama. Devemos correr pelo prêmio eterno ou pelos cinco minutos de fama? Devemos esgotar nossas energias, num show de velocidade no sprint inicial ou nos regular para resistirmos até o final?

            Há uma beleza tácita em ver o pelotão passar na sua frente e saber que não está ainda na hora de aumentar a velocidade. Há que se ter domínio próprio, humildade, confiança no treinamento  e tranquilidade na espera pelo tempo próprio. Há que se lembrar do ensino do treinador, dizendo: “Não está na hora ainda…” Imagino que a vontade do corredor seja disparar na frente, mas ele sabe que a energia que está sendo guardada se revelará útil nos momentos próprios.

            Na maratona da nossa vida aqui na terra, precisamos saber para onde vamos. Precisamos da estratégia correta, precisamos ouvir a voz do Treinador a nos guiar, a nos dizer quando é hora de se poupar e quando é hora de acelerar. Nossa linha de chegada não é aqui. Nosso alvo, o autor e consumador da nossa fé, está à direita do Pai e voltará para nos buscar.

            Entre a maratona e o Maranata, devemos correr: correr com confiança, correr com disciplina, com foco, como quem sabe onde quer chegar. Se olharmos para trás, corremos o sério risco de querer voltar ou de achar que já avançamos muito, podemos querer parar para recuperar o fôlego… Se olharmos para o lado, podemos ser tentados a nos comparar aos outros atletas, a nos satisfazer com um desempenho mediano, medíocre. Por isso, devemos olhar sempre para Cristo.

            Quando ficarmos ofegantes, sedentos ou cansados (e tudo isso faz parte da corrida) devemos nos lembrar do Treinador, que nos convocou para a corrida, que nos prepara, trazendo-nos incentivo. Ele sempre está ao nosso lado, segurando o tempo em suas mãos, aquele cronômetro que marca nossos avanços e nossos atrasos, fala-nos palavras de motivação e de orientação, oferece-nos a água viva, torce por nós! E se tropeçamos e caímos, Ele não nos deixa desistir. O levantar é dEle. Ele nos puxa para cima, colocando-nos de volta na pista; e, em momentos graves, Ele mesmo corre nos carregando no colo, como aquele pai que se compadece do seu filhinho cansado de tanto andar.

            Uma coisa é certa, a corrida parece longa, tem subidas e descidas, mas, na verdade, é mais breve do que imaginamos. O que são 42 km para quem formou a imensidão dos céus com as pontas de seus dedos?

            Às vezes, como criancinhas, perguntamos: Já está chegando?… Ele nos diz: Estamos quase lá, não desista agora…A gente então declara: Tomara que chegue logo, isto é: Maranata!

            A linha de chegada é logo ali… nosso Treinador e muitos torcedores nos aguardam para nos saudar. Em breve, receberemos a coroa! Então, corramos a maratona de modo que a alcancemos.

Gisele Manhães

Coordenadora no PIBN Kids